Em assembleia realizada no começo da manhã desta terça-feira (7), na troca de turno, os trabalhadores do Hospital Madre Maria Theodora decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Entre os motivos estão as mudanças no plano de saúde, o não pagamento do adicional de insalubridade e o descumprimento do Acordo Coletivo, mas principalmente a “falta de respeito e a desvalorização dos profissionais”, como afirma a diretora de Comunicação do Sinsaúde, Adriana Botelho, funcionária do hospital.
O Sindicato buscou uma solução, tentou negociar, mas a nova administradora da unidade, o Grupo Américas, um dos maiores conglomerados de saúde do País, fechou os ouvidos para as reclamações dos trabalhadores.
A decisão da assembleia foi unânime. O Sinsaúde marcou uma reunião online para combinar com a empresa a escala de trabalho dos funcionários, mas nenhum representante dos patrões compareceu. “A decisão da empresa de retirar direitos levou os trabalhadores a decidirem pela greve. Esperamos que a empresa reveja estas situações irregulares e resolva o problema dos trabalhadores”, aponta o diretor Jurídico do Sinsaúde, Paulo Gonçalves.
Decisão veio depois da segunda assembleia
O Sinsaúde realizou assembleias nos dias 31 de março e 1º de abril, na Sede Central do Sindicato, para discutir com os trabalhadores do Hospital o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), a retirada de direitos e deliberar sobre a possibilidade de greve.
Entre os principais problemas relatados estão a mudança no plano de saúde, com cobrança de até 50% de coparticipação em atendimentos de pronto-socorro e 30% em consultas, exames e terapias. O ACT, no entanto, prevê coparticipação de 15%. Também há denúncias de redução de cobertura e suspensão de benefícios para grupos vulneráveis, como gestantes, pacientes oncológicos e pessoas com transtornos de saúde mental.
Outro ponto crítico é o adicional de insalubridade. Após perícia realizada pelo próprio hospital, em janeiro de 2026, trabalhadores tiveram o benefício reduzido ou zerado e seguem sem o pagamento correto. Além disso, há denúncias de pagamento incorreto de horas extras e adicional noturno, ampliando o cenário de irregularidades enfrentado pelos profissionais.
A diretora de comunicação do Sinsaúde Campinas e Região, Adriana Botelho, destaca a gravidade da situação: “A retirada de direitos e o desrespeito ao Acordo Coletivo não podem ser normalizados”.
A vice-presidente do Sinsaúde, Juliana Machado, reforça que o Sindicato está ao lado da categoria e não vai admitir retrocessos: “Os trabalhadores não podem abrir mão dos seus direitos e devem se unir ao sindicato nesta luta”.
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região