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Regulamentação
da Emenda 29
Edison Laércio de Oliveira
Após treze anos
em prática (1993/2007), finalmente a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi sepultada pelo Senado
Federal. O Sinsaúde, como representante dos trabalhadores
do setor, defendeu a suspensão da referida contribuição, dado
que o governo não cumpriu as promessas feitas de aplicar os
recursos na área da Saúde. A decisão histórica aconteceu no
dia 13 de dezembro de 2007 e marcou para sempre a política
brasileira. O Senado rejeitou, por 45 votos contra 34, a proposta
de prorrogação da CPMF até 2011 e com isso o Governo Federal
deixará de lucrar R$40 bilhões já em 2008.
Em 2007 apenas
0,20% da CPMF eram investidos na área da saúde. Ainda que
pouco, esse dinheiro vai fazer falta ao setor, cuja situação
fica cada dia mais difícil para quem depende do Sistema Único
de Saúde e mais caro para aqueles que buscam os planos de
saúde como opção para melhoria do atendimento. Os baixos investimentos
na área não podem ser reduzidos, daí a necessidade de buscar
alternativas que garantam a viabilização do setor da saúde.
Desde o ano
passado que a Frente Parlamentar da Saúde faz pressão no Senado
para a votação, em plenário, do Projeto de Lei Complementar
001/2003, que regulamenta a Emenda Constitucional 29. A Emenda
da Saúde, como é conhecida, vai garantir mais dinheiro e acabar
com os desvios de recursos do setor. A matéria foi aprovada
em outubro na Câmara e sua tramitação parou no Senado, principalmente
por conta da tramitação do projeto que buscava a prorrogação
da CPMF.
Além disso,
a Frente Parlamentar da Saúde tentava negociar um texto melhor,
garantindo a correção em 10% da receita corrente bruta, principalmente
nos anos de 2008 e 2009, além da obrigatoriedade de aplicação
de 12% em saúde pelos Estados e em 15% o aplicado pelos municípios.
Além disso, a Frente quer que esse dinheiro seja incorporado
ao piso constitucional, assim como os recursos emergenciais
liberados em setembro, no valor de R$ 1,7 bilhão. Se isso
for feito, o piso de 2007 não será de apenas R$ 44,1 bilhões
e sim de R$ 45,8 bilhões.
A proposta foi
bem aceita pelo ministro José Gomes Temporão, mas o presidente
Lula não aprovou. Por incrível que pareça, essa proposta era
tema de campanha do PT para chegar ao poder.
De qualquer
modo, a opção agora é convencer os senadores, o que somente
poderá ser tentado no decorrer de 2008. Vale ressaltar que
já está definido como meta de gastos do Ministério da Saúde
para este ano, considerando créditos adicionais recebidos,
o valor de R$ 46,8 bilhões. O Governo Federal calculou o piso
de 2008 num valor menor, R$ 44,1 bilhões, mas vai gastar este
ano R$ 2,7 bilhões a mais. Ou seja, o piso estabelecido pelo
governo em 2007 para determinar o orçamento de 2008, levando-se
em conta a variação nominal do PIB, é bem menor ao que efetivamente
vai gastar este ano.
A regulamentação
da Emenda 29 é mais importante que a CPMF para todo o povo
brasileiro, pois vai garantir a melhoria do Sistema Único
de Saúde, o maior plano público de saúde que é utilizado por
183 milhões de brasileiros. O ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, confirmou que o piso constitucional de repasses
da União para o orçamento da Saúde, a ser regulamentado pela
Emenda 29, está garantido. Sua aprovação, ainda a ser confirmada
pelo Senado, vai significar um avanço importante, principalmente
porque vai obrigar as três esferas de poder a gastar com seriedade
em ações e serviços de saúde. Destaque-se que se isso não
for feito, atrás da febre amarela, que vêm assustando a população,
veremos a volta de uma só tacada, de muitas doenças já sepultadas
há décadas. E este retrocesso ninguém quer assistir.
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