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Acidentes
de trabalho custam 10% do PIB da América Latina
Em um estudo conduzido pelo Banco Inter-Americano
de Desenvolvimento para a América Latina, os números mostram
que de 20 a 27 milhões de acidentes de trabalho que ocorrem
anualmente na região,90 mil são fatais. Ou seja, 250 pessoas
morrem por dia e de 40 a 50 acidentes acontecem a cada 7 minutos
nos ambientes de trabalho.
Os
dados publicados em dezembro de 2006 em um artigo do International
Journal of Occupational Health mostram que, em decorrência
destes números alarmantes, os países da América Latina e Caribe
chegam a gastar em média 10% do valor do Produto Interno Bruto
(PIB) com os acidentes provenientes do trabalho.
No
Brasil, em 2002, apontava-se para uma estimativa de 32 bilhões
de reais de recursos perdidos em agravosdecorrentes dos acidentes
de trabalho.Pesquisa do Ministério da Saúde indica que no
Brasil entre 1999 e 2003 foram registrados 1.875.190 acidentes
de trabalho, dos quais 15.293 resultaram em morte e 72.020
em incapacidade permanente.
O
quadro, nos demais países, mesmo nos considerados desenvolvidos,
não é menos grave, pois, segundo dadosda Organização Internacional
do Trabalho (OIT), ocorrem anualmente, em todo o mundo, cerca
de 450 milhões de acidentes e doenças do trabalho.
Dia Mundial em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes
do Trabalho
Em 2003, a OIT adotou o 28 de abril como o dia oficial da
segurança e saúde nos locais de trabalho. O movimento começou
no Canadá e espalhou-se por diversos países, organizado por
sindicatos, federações, confederações locais e internacionais,
entre elas a Confederação Internacional das Organizações Sindicais
Livres (CIOLS) e o Conselho Sindical da Organização para a
Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (TUAC/OCDE).
Nesse
dia, a cada ano as entidades dos movimentos sociais, as instituições
públicas e governamentais e todos aqueles que vivenciam esta
realidade no mundo se unem para, em memória das vítimas de
doenças e acidentes de trabalho, propor à sociedade uma reflexão
e mobilização permanentes contra essa grave situação.
Mudar
essa situação significa implementar políticas públicas que
melhorem as condições de saúde e segurança no trabalho, que
direcionem o uso de novas tecnologias para que poupem o trabalhador
das atividades perigosas e penosas e reduzam suas jornadas.
O
papel do Estado
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado recentemente
pelo Governo Federal,abre perspectivas para um grande estímulo
à produção e ao consumo, anseio de toda a sociedade para que
tenhamos desenvolvimento social e melhor distribuição de renda.
No entanto, o esforço para o crescimento econômico, descolado
de políticas que considerem o ser humano envolvido, pode levar
a uma maior intensificação do trabalho, negligência por parte
das empresas e acentuação dos riscos, dos acidentes, das doenças
e das mortes.
A
3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador convocada
pelos Ministérios da Saúde, do Trabalho e da Previdência Social
em novembro de 2005, reforçou a necessidade de integração
entre as diversas áreas do governo para desenvolver uma política
nacional de saúde e segurança do trabalhador.
Uma
de suas resoluções, o critério epidemiológico, que estabelece
o nexo causal entre o trabalho e o agravo à saúde do trabalhador,
em aplicação pela Previdência Social desde 1º de abril do
corrente ano, será ferramenta preciosa para o real dimensionamento
dos acidentes e doenças ocupacionais no País. Contribuirá
também para a responsabilização dos ramos econômicos e empresas
que mais adoecem os trabalhadores, representando um estímulo
a investimentos em mecanismos de prevenção de riscos ocupacionais.
Facilitará, ainda, a concessão de benefícios acidentários,
garantindo o direito dos trabalhadores, tais como FGTS e estabilidade
no emprego por um ano após o retorno às atividades de trabalho.
No
âmbito do Ministério da Saúde, o processo de construção da
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador –
Renast, definida na Portaria 1679/02, representou o fortalecimento
da Política de Saúde do Trabalhador no SUS, reunindo as condições
para estabelecer uma política de Estado e os meios para sua
execução. A Renast tem como principal objetivo integrar a
rede de serviços do SUS, voltados à assistência e à vigilância,
para o desenvolvimento das ações de Saúde do Trabalhador.
Essa
estratégia está sendo implementada por uma rede regionalizada
de 140 Centros de Referência em Saúde do Trabalhador que desempenham,
na sua área de abrangência, função de suporte técnico, de
educação permanente,de coordenação de projetos de assistência,
promoção e vigilância à saúde dos trabalhadores. A Portaria
GM/MS 2437 determina a ampliação da Renast, de forma articulada
entre o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos
Estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Responsabilidade
de todos
Se todos os setores governamentais e sociais têm responsabilidades
sobre as condições de trabalho dos que constroem a riqueza
do País, especial papel tem a mídia no cumprimento de sua
missão de informar e analisar os fatos, influenciando a reflexão
dos que trabalham, dos que empregam, dos que governam, dos
que legislam e dos que julgam. Por trás das reestruturações
produtivas, dos enxugamentos e das incorporações há situações
de trabalho que adoecem e matam, de velhas e novas formas.
Tomar
conhecimento e consciência dessa realidade é um primeiro passo.
Mas é preciso mais do que isso.O Estado deve cumprir o seu
papel e, em conjunto com o setor empresarial e a sociedade
em geral, desenvolver políticas que valorizem a vida e a saúde
dos que trabalham.
O custo do crescimento econômico, desejo de todos os brasileiros,
não pode ser a vida e a saúde dos trabalhadores.
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