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Enfermeiras estão insatisfeitas com condições de trabalho
Pesquisa mostra que ausência de reconhecimento pelo trabalho, falta de plano de carreira, comunicação deficiente, falta de planejamento e salário incompatível com a função ou muito abaixo do mercado são as principais queixas da categoria

A motivação e o comprometimento do profissional com o trabalho são fundamentais, pois interferem na qualidade de vida dele e na produtividade da empresa. Nesse sentido, é importante que as empresas verifiquem o grau de satisfação e de participação dos funcionários e os impactos daí decorrentes e sua repercussão na eficácia organizacional. Com o intuito de identificar os fatores que comprometem a motivação, o desenvolvimento e a atuação profissional de enfermeiras, Lourdes Margareth Leite Pizzoli da Divisão de Enfermagem do Hospital Heliópolis fez um estudo com 54 funcionários do setor.

De acordo com artigo publicado na edição de outubro/dezembro de 2005 da revista Ciência & Saúde Coletiva, “a verificação de índices de qualidade de vida no trabalho pode trazer informações de fatores que interferem diretamente na satisfação e motivação pessoal e coletiva, com reflexos na excelência da estrutura e do serviço. Um estudo sobre esses elementos permite ainda conhecer como as pessoas se sentem em relação a vários aspectos (tanto internos como externos) da empresa e, a partir daí, gerenciar esses dados, transformando essas informações em bases para a construção de estratégias que promovam o aumento do envolvimento”.

Os resultados mostram que há elevada concentração em satisfação nas dimensões que abrangem aspectos sociais, de relacionamento e desenvolvimento do potencial. Em contrapartida, há insatisfação resultante nos aspectos que abordam a valorização, compensação, condições de trabalho e investimento na educação formal do profissional. Segundo a pesquisadora, “a pesquisa revela que o orgulho do trabalho em si e na instituição entra em conflito com uma remuneração considerada injusta e condições de trabalho insatisfatórias pela sobrecarga de tarefas numa profissão já por si estressante”.

Dessa forma, Lourdes Pizzoli afirma que muitas intervenções podem ser feitas para reduzir os índices de insatisfação, favorecer a motivação e para prover condições para uma melhor qualidade na assistência. “Verificar as insatisfações pode fornecer informações significativas para a construção de estratégias voltadas ao desenvolvimento de reformas organizacionais. Levando-se em conta que os profissionais passam muitas horas dentro do ambiente de trabalho, se estas puderem ser agradáveis, as pessoas vão se sentir mais motivadas e, conseqüentemente, mais envolvidas com os objetivos da empresa. E esse envolvimento é fundamental para o aumento não só da produção, mas, principalmente, da qualidade do trabalho e do aprimoramento profissional”, destaca no artigo.

Fonte: Notisa - 25/01/2006