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Aumenta acidentes na área da saúde, mas novas soluções começam a surgir para mudar essa realidade
Seminário Internacional BD reúne mais de 700 profissionais da saúde em São Paulo para falar de soluções no combate ao alto índice de acidentes do setor

No último dia 07 de novembro, mais de 700 profissionais da saúde se reuniram no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, para ouvir especialistas nacionais e internacionais ligados ao setor. Primeiro lugar no ranking de registros de acidentes do Ministério da Previdência Social, a área da saúde teve um aumento de 30% no último ano nas notificações de acidentes junto ao ministério. Dos 458.956 registros, 30.161 corresponderam ao setor. "Isso sem contarmos com a sub-notificação que elevaria significativamente esse número", afirma o presidente da ABPA (Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes), Mauro Daffre. Segundo ele, esse é um segmento em que a cultura prevencionista quase não existe e a tendência, observa, é que nos próximos anos as notificações cresçam ainda mais. "A prática da notificação dos acidentes quase não era feita nessa área. Por isso, teremos inicialmente um aumento nesses índices, para depois, com a consolidação da cultura de prevenção e com a vinda da norma regulamentadora NR 32, vermos um declínio nesses números", reitera.

A médica infectologista e coordenadora do Sinabio - Sistema de Notificação de Acidentes Biológicos - do Estado de São Paulo, Marta Ramalho, mostrou durante sua participação no Seminário Internacional que, entre janeiro de 1999 a outubro de 2005, o Departamento de Vigilância Epidemiológica de São Paulo analisou 13.021 casos de acidentes com material biológico entre os profissionais de saúde. Deste total 11.071 ocorreram com perfurocortante e em 9.605 houve exposição de sangue. A categoria mais afetada, conforme estudo apresentado, é a dos profissionais de enfermagem (6.029), seguida pelos profissionais de limpeza (1.256).

Para o médico Eduardo Medeiros da UNIFESP - Escola Paulista de Medicina -, em um acidente causado por perfurocortante as chances de um profissional adquirir o vírus da Hepatite B são de 6 a 30%; o vírus da Hepatite C de 1,8 a 3% e o HIV de 0,3 a 0,5%, neste caso quando o material exposto é a mucosa, as chances diminuem para 0,09%. Ainda no estudo apresentado pelo médico infectologista, 88% dos acidentes têm origem percutânea e 82% são causados por agulhas.

A expectativa entre os especialistas é que, com a chegada da nova regulamentação, a NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde - esse quadro de registros de acidentes melhore. A norma estabelece medidas de segurança e saúde obrigatórias para todos os estabelecimentos de saúde do setor privado (a extensão da medida para o setor público ainda está em discussão). Após dois anos de estudo a NR 32 acaba de ser aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Entre as medidas previstas pela NR 32 está justamente a adoção de dispositivos de segurança para equipamentos perfuro-cortantes. Nos EUA, observa a diretora de comunicação do International Healthcare Worker Safety Center da Universidade da Virgínia, Jane Perry, desde que a medida foi adotada no ano 2000, o índice de acidentes com perfurocortante caiu 59%.

Segundo o médico Luis Sérgio Mamari, coordenadora da bancada patronal no Grupo Técnico Tripartite (GTT), responsável pela elaboração do texto da nova NR, os prazos para o setor se adaptar as novas regras variam de 5 a 18 meses. Os prazos variam conforme o grau de complexidade dos itens da norma, levando em consideração também a viabilidade econômica. "Fico muito feliz com o resultado desta norma. Ela é fruto de um consenso entre empregadores, trabalhadores e governo, construída de forma realista para atender as reais necessidades do setor levando em consideração as aspirações de todas as partes envolvidas nesse processo", comenta.

Outro assunto que também fez parte dos temas expostos no Seminário foi o lançamento da BD SoloMed, uma seringa com dispositivo de segurança projetada para proteger o profissional da saúde durante o seu manuseio. "O Brasil será o principal produtor e exportador do novo produto da BD", afirmou o presidente da América Latina Sul, Geraldo Barbosa. Segundo ele, a solução foi projetada por engenheiros brasileiros e o Brasil terá foco, principalmente, no abastecimento do mercado local e também os países da América Latina Sul, Índia, Paquistão, África do Sul e Filipinas.

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