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Afastamento
por câncer de pele salta 55%
Cláudia Collucci
da reportagem local
O
câncer da pele, doença muitas vezes associada ao excesso de sol
na praia, começa a figurar como importante causa de afastamento
do trabalho.
Nos
últimos cinco anos, houve um aumento de 55% no número de benefícios
concedidos por incapacidade provocada por esse tipo de câncer.
Em
2000, ocorreram 1.438 afastamentos por câncer da pele. Em 2004,
esse número saltou para 2.282, segundo dados do Ministério da Previdência
Social. Ainda não foram compilados dados sobre o tipo de profissão
com mais incidência do câncer ou o perfil dos trabalhadores doentes.
Embora
seja o tipo de tumor mais freqüente no país -responde por 25% de
todos os casos-, não há normas no Brasil que obriguem os empregadores
a fornecer o filtro solar ou roupas que protejam os trabalhadores
da radiação ultravioleta do sol.
"Há
muitas barreiras que teremos de derrubar. A primeira será obrigar
os empregadores a fornecerem o protetor solar. Mas só isso não será
suficiente. Teremos que convencer o trabalhador a utilizá-lo de
forma correta", afirma Rinaldo Costa Lima, diretor do departamento
de segurança e saúde do Ministério do Trabalho.
Os
números da Previdência Social representam apenas a ponta do iceberg,
pois a grande maioria dos trabalhadores está hoje no mercado informal,
lembra Mauro Daffre, presidente da ABPA (Associação Brasileira para
Prevenção de Acidentes).
"Existe
muita subnotificação e desinformação. Os trabalhadores, em especial
os do meio rural, não costumam procurar os serviços de saúde quando
o câncer aparece porque o consideram apenas uma pinta", diz Daffre
(leia nesta página como fazer o auto-exame).
Vítimas
idosas
Segundo o médico Carlos Eduardo Alves dos Santos, chefe do serviço
de dermatologia do Inca (Instituto Nacional do Câncer), na maioria
dos casos, o câncer da pele se manifesta quando a pessoa já está
aposentada.
"A
vítima desse câncer é, em geral, mais idosa. E, quase sempre, trabalhou
sob o sol. São trabalhadores rurais, garis, pescadores, marinheiros",
relata.
É
o caso do aposentado Antônio Manoel Natalini, 65, de Barretos (SP),
que trabalhou quase 30 anos em laranjais e canaviais no interior
do Estado. Neto de italianos, ele conta que demorou para descobrir
que uma pinta próxima à orelha, que apareceu por volta dos 60 anos,
era um carcinoma basocelular, o tipo mais freqüente de câncer da
pele.
Ferida
"Começou com uma pinta e depois virou uma ferida. Como não sarava,
fui ao posto de saúde e lá descobriram (o câncer)", conta. Por
causa do estágio avançado, o tumor atingiu a cartilagem da orelha
do aposentado, que foi parcialmente amputada.
Também
ficou com uma deformação facial no lado esquerdo. "Ainda bem que
foi só isso", diz Natalini. Assim como "Toninho", apelido do aposentado,
outros 56.420 homens e 56.600 mulheres devem ser afetados neste
ano pelo câncer da pele não-melanoma -de baixa letalidade, mas que
pode levar a deformidades físicas-, segundo estimativas do Inca.
Outras
mil pessoas não terão a mesma "sorte" e devem morrer em razão desse
tipo de tumor, que pode ser prevenido em quase 100% dos casos quando
diagnosticado precocemente, segundo os médicos. Para Santos, do
Inca, é preciso intensificar as campanhas sobre a importância do
uso de roupas seguras, que protejam a pele da radiação ultravioleta.
"Incentivar
o uso do filtro solar não tem muito retorno porque o produto é ainda
muito caro, inacessível à maioria da população brasileira", diz.
Filtro grátis A partir do próximo mês, a Furp (Fundação para o Remédio
Popular), órgão do governo estadual, começa a produzir filtro solar
para ser distribuído em serviços públicos de dermatologia do Estado
de São Paulo.
O
projeto está sendo desenvolvido em parceria com a regional paulista
da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Segundo o dermatologista
Marcus Maia, professor da clínica de dermatologia da Santa Casa,
que ajudou na elaboração do projeto, o público alvo será gente que
já teve câncer da pele ou que tem sérios riscos de contraí-lo, como
trabalhadores de pele clara que atuam expostos ao sol por longos
períodos. A produção de filtro solar prevista é de 20 mil frascos
por mês, que serão distribuídos em 20 serviços de saúde no Estado.
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