Audiência
Pública debate reprocessamento de produtos médicos
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou
no dia 3 de junho Audiência Pública sobre reprocessamento
de produtos médicos. O encontro reuniu profissionais da
área de saúde e representantes de instituições civis para
debater a proposta de resolução da Agência que vai regulamentar
o registro, a rotulagem e o reprocessamento dos produtos
para saúde.
“Audiências
como essa marcam o avanço da transparência e da democracia
no processo regulatório. Progredimos juntos, com a participação
objetiva, franca e ampla de todos os presentes”, declarou
o diretor Vitor Hugo Travassos na abertura do encontro.
O diretor-presidente da Anvisa, Cláudio Maierovitch, e o
diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
Fausto Pereira dos Santos, formaram, ao lado de Vitor Hugo,
a mesa de abertura.
“Parabenizo
a Anvisa pela coragem e ousadia de regular um assunto tão
complexo, com tantas visões diferentes, muitas vezes antagônicas,
mas não equivocadas. O reprocessamento não está sendo inaugurado.
Já é praticado pelos serviços de forma não disciplinada”,
afirmou o diretor da ANS. Ele acredita que a regulamentação
da Anvisa irá impactar positivamente o setor de serviços
de saúde.
O
diretor Cláudio Maierovitch destacou que a legislação sobre
reprocessamento que está em vigor atualmente é, ainda, da
década de 80, estando defasada perante os avanços tecnológicos.
“O assunto é polêmico e não há unanimidade de opiniões.
Podemos dizer que, hoje, agimos no consenso da omissão.
E é essa falha que a regulamentação vem sanar”. Cláudio
ressaltou, também, que é preciso considerar não apenas os
riscos sanitários, mas também os custos e lembrou que as
normas são sempre temporárias, pois estão sujeitas a críticas
e devem ser atualizadas diante do surgimento de novos conhecimentos.
Debates
O
diretor Vitor Hugo, o Gerente-Geral de Produtos para a Saúde,
Paulino Araki, e a Gerente-Geral de Tecnologia em Serviços
de Saúde, Flávia Freitas compuseram a mesa de debates. Flávia
destacou que o desafio maior da regulamentação sobre reprocessamento
de produtos médicos começará após a sua publicação. “A implementação
da resolução exigirá uma ação articulada entre a vigilância
sanitária e os serviços de saúde para que realmente se garanta
a segurança da população. Para isso contamos com a colaboração
de todos”. Paulino reiterou a posição de Flávia: “O trabalho
começa agora”.
As
questões mais discutidas na Audiência foram o equilíbrio
entre segurança e impacto econômico das medidas, os custos
para os serviços de saúde, a rotina de preenchimento dos
protocolos de validação, e a possibilidade de alteração
da Lista Negativa (lista de produtos de uso único) com propostas
de inclusão e exclusão de determinados produtos. O representante
da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA)
questionou a segurança do reprocessamento: “A regulamentação
sobre reutilização de produtos médicos é complicada por
conta da dificuldade de fiscalização dos processos.
A
ABPA é contra a medida porque não conseguimos enxergar uma
gestão integrada de segurança. A resolução que a Anvisa
quer aprovar é um sonho muito distante da realidade brasileira”.
Paulino Araki lembrou que a resolução da Anvisa é motivada
pela lógica sanitária, sem desconsiderar os riscos. “Não
negamos implicações éticas e de ordem econômica, mas nosso
foco é, primeiro, a segurança do produto e, em segundo lugar,
a eficácia e eficiência do reprocessamento. Se não enxergássemos
riscos no processo de reutilização, não estaríamos propondo
a resolução”, afirmou.
O
diretor Vitor Hugo, ao encerrar a audiência, firmou um compromisso
com a sociedade e os profissionais de saúde presentes:
“Estamos abertos à discussão e ao diálogo. A Anvisa não
tomará atitude alguma sem a certeza de que seus passos são
minimamente seguros.Termino esse encontro feliz, com a convicção
de que, apesar de termos tratado aqui de um tema tão complexo,
construiremos, juntos, um processo novo”. Depois da audiência
pública, os técnicos da Anvisa fazem nova revisão da proposta
de resolução, incorporando ao texto legal as sugestões da
população.
A
resolução aguarda, então, aprovação da Diretoria Colegiada
da Anvisa para ser publicada no Diário Oficial da União
e entrar em vigor.
Termos
da proposta
A resolução tem por objetivo regulamentar a ação das empresas
que realizam reprocessamento e esterilização de produtos
médicos. A proposta de resolução lista 84 produtos de uso
único, cujo reprocessamento é proibido, como por exemplo,
agulha com componentes plásticos, avental descartável e
bolsa de sangue.
Tais produtos deverão ter no rótulo a expressão “Proibido
reprocessar”. As empresas e os serviços de saúde que realizam
processos de esterilização e reprocessamento deverão fornecer
protocolos validados, com descrição dos procedimentos adotados.
O objetivo é garantir a qualidade dos resultados e de todas
as etapas do processo, inclusive das condições de transporte
e armazenamento.
O
texto prevê, ainda, a proibição da comercialização de artigos
reprocessados e estabelece a obrigatoriedade de utilização
desses artigos exclusivamente no serviço de saúde onde foi
realizado o primeiro uso. Após a publicação da resolução,
as empresas e os serviços de saúde terão entre 30 e 180
dias para se adaptarem aos requisitos exigidos.
Veja
o texto
completo (PDF) da proposta de resolução e da
lista de produtos (PDF) de uso único. Informação: Assessoria
de Imprensa da Anvisa.