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Reuso de Descartáveis: o assunto está em pauta
(fonte: "Trabalhador Saudável - Paciente Vivo" - INFORMA)

O tema esteve presente no 2º TSPV, que aconteceu em 19 de maio em Curitiba, e também fará parte da mesa de debates do 3º Encontro Nacional do Trabalhador Saudável – Paciente Vivo, marcado para acontecer no próximo dia 29 de junho na Fecomércio no Rio de Janeiro (cujas inscrições, gratuitas, estão abertas no site www.abpa.org.br.

Recentemente o assunto também foi pauta na Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária-, que no último dia 6 de junho realizou audiência pública, reunindo cerca de duzentas pessoas, entre profissionais da área de saúde e representantes de instituições civis, para debater uma nova proposta de resolução que pretende regulamentar o registro, a rotulagem e o reprocessamento dos produtos para saúde.

Segundo texto divulgado pela assessoria da Agência: “A resolução tem por objetivo regulamentar a ação das empresas que realizam reprocessamento e esterilização de produtos médicos (...) O texto prevê, ainda, a proibição da comercialização de artigos reprocessados e estabelece a obrigatoriedade de utilização desses artigos exclusivamente no serviço de saúde onde foi realizado o primeiro uso.

Após a publicação da resolução, as empresas e os serviços de saúde terão entre 30 e 180 dias para se adaptarem aos requisitos exigidos”. Além disso, a proposta lista 84 produtos de uso único em que é efetivamente vetado o reprocessamento. ( Veja na íntegra o texto da proposta e lista de produtos - www.anvisa.org.br )

Para a diretora da ANENT – Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho - Ivone Martini de Oliveira, que esteve presente na audiência pública promovida pela ANVISA e é presença confirmada no 3º TSPV, o texto proposto ainda está fraco e não leva em consideração o lado ocupacional. “Os prejuízos dessa prática para os trabalhadores de saúde não estava sendo previsto e abordado na nova proposta. Essa preocupação foi colocada por nós. A partir disso, a ANVISA se dispôs a estudar novamente a matéria, que ficou sujeita a uma nova consulta publica”, afirma.

Outra entidade presente na audiência foi a ABPA (Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes), representada por seu presidente, Mauro Daffre, que se posicionou contra o reuso, com o fim de prezar pela saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores e da comunidade. Segundo ele, a resolução da Anvisa precisa ser apreciada pelo Conselho Nacional de Saúde - CNS, que possui a representação dos usuários. Daffre citou a última pesquisas Fatores de (IN) Segurança para Pacientes e Profissionais de Saúde - REPROCESSAMENTO DE PRODUTOS DE USO ÚNICO, realizadas pela ABPA e ANENT em maio passado no 2º TSPV, que mostrou que 77,78% dos presentes não sentiam-se confortáveis quanto à utilização de produtos de uso único, re-processados neles ou em seus familiares. (Em breve remeteremos pesquisa na íntegra)

Entre as entidades ligadas à categoria, a grande preocupação acerca do reuso é quanto os riscos que essa prática trás tanto para trabalhadores como para a comunidade de maneira geral. “A maioria dos instrumentos reprocessados são fabricados para serem utilizados apenas uma vez, depois disso eles perdem a qualidade de esterilização e até mesmo de segurança, colocando em risco a saúde de pacientes e dos trabalhadores da saúde, além de comprometer o tratamento a que essas pessoas estão sendo submetidas”, afirma o presidente da ABPA. O assunto também foi parar nas páginas do boletim mensal da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo, que circula este mês e é coordenado pelo diretor da Federação, Pedro Tolentino, que é um dos convidados confirmados no 3º TSPV.

O reuso, assim como a questão do risco biológico também tratado no 2º encontro do TSPV e que terá, igualmente, espaço agora no 3º, estão estampados na primeira página do jornal. “Somos totalmente contra essa atividade”, comenta Tolentino. Segundo ele, com base nos monitoramentos realizados pela Federação, para saber como ocorrem os acidentes, 95% dos casos acontecem após o procedimento no paciente. “O que significa que o trabalhador da saúde fica 95% mais exposto aos riscos de acidente se o seu instrumento de trabalho for reaproveitado”. Ele ainda reitera, “não vejo segurança alguma nesse processo. Ao meu ver o material de uso hospitalar deve ser de uso único. Usou? Joga fora”. Sabrina Fernandes