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Veja
como a Reforma Sindical do Lula do PT vai mudar sua vida...para
pior
Fim
da Contribuição Sindical - Flexibilização
dos direitos Trabalhistas
Pluralidade
Sindical - Arbitragem
na Negociação - Lei de Greve
Fim
da Contribuição Sindical
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| O
que o goveno quer: extinguir a contribuição sindical compulsória.
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que diz a Federação: ela deve ser mantida, pois dá condições
aos sindicatos para defenderem os trabalhadores. |
Zé
Mané ficou muito feliz quando viu na Globo que o governo Lula do
PT ia acabar com a contribuição sindical compulsória do seu salário,
se conseguisse aprovar a Reforma Sindical que tinha enviado ao Congresso.
O desconto era o correspondente a um dia trabalhado - muito pouco,
principalmente levando-se em conta que os impostos comem cerca de
quatro meses e meio de salário de um trabalhador -, mas, era um
dia dele !
E,
se o sindicato não ia mais levar esse dinheiro, quem sabe ele poderia
tomar uma cervejinha a mais no final de semana ou comprar um agradinho
pra patroa... No dia seguinte, porém, Zé Mané foi demitido, injustamente,
do Hospital onde trabalhava. Imediatamente, correu para o sindicato
para fazer sua homologação.
Além
disso, queria conversar com o advogado de lá, para saber se conseguiria
processar a empresa ("O advogado do Sindicato é fera !", disseram
os amigos). "O senhor deu sorte, seu Zé", disse a mocinha atrás
do balcão quando o atendeu, " afinal, se aprovarem esta Reforma
Sindical, o sindicato não vai ter mais advogado para ajudar o senhor.
Aliás, talvez não tenha nem mais sede..."
"Como assim?", perguntou Zé. "Ora, como é que o senhor acha que
o sindicato paga bons advogados, a sede, plano odontológico e até
esse cafezinho que o senhor está tomando? Com a contribuição. Se
ela acabar, acaba tudo isso..."
A
história acima ilustra o que pode ocorrer se o governo Lula do PT
conseguir terminar com a contribuição compulsória dos sindicatos.
Em todo o país, este dinheiro é utilizado por eles para oferecerem
uma boa estrutura - administrativa, jurídica e até física - à categoria.
Se
a preocupação é com o mal uso deste dinheiro, como alegam alguns,
então o correto é que sejam criadas formas de fiscalização da utilização
destes valores. E que sejam exigidas prestações de contas à sociedade,
de modo que todo o processo seja transparente.
Acabar com a contribuição porque um ou outro é acusado de irregularidade
é como fechar o Congresso porque um único deputado é suspeito de
corrupção. Não se pode punir os bons pela existência dos maus !
Além
do mais, os sindicatos patronais continuam recebendo verbas, estão
querendo financiamento público para os partidos e o próprio PT recolhe
compulsoriamente dinheiro de seus filiados. Então por que só querem
tirar as verbas que dão sustentação ao movimento sindical, que defende
os trabalhadores?
Em
resumo: a contribuição compulsória pouco onera um trabalhador que
recebe baixos salários e vive em um país de impostos absurdos. Mas,
somadas, as contribuições de todos possibilitam a existência de
sindicatos fortes e bem estruturados, que defendem com eficiência
os interesses do trabalhador. A pergunta que fica no ar é: a quem
interessa acabar com a contribuição?
Flexibilização
dos direitos Trabalhistas
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O
que o governo quer: abrir terreno para a reforma trabalhista,
aprovando a alteração de direitos conquistados e especificados
na CLT
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O
que diz a Federação: a flexibilização é perigosa, pois não
há garantias de conseguir direitos como 13º e horas-extras
apenas negociando com os patrões.
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Marcão
Bob Eira aplaudiu quando governo conseguiu aprovar, na Reforma Sindical,
a flexibilização dos direitos trabalhistas. Afinal, o patrão dele
vivia dizendo que, se não tivesse que pagar décimo-terceiro salário
a todos, poderia aumentar os salários mensais deixando todos mais
satisfeitos e ficaria livre da "facada"do final do ano.
O dono do laboratório dizia que, inclusive, sem a obrigação de pagar
décimo-terceiro, poderia até contratar mais gente. Naquela noite,
Marcão sonhou que a Reforma Sindical tinha sido aprovada do jeitinho
que o governo Lula do PT propôs. Logo depois da aprovação, o chefe
já mandou avisar que não ia mais ter décimo-terceiro e todos ficaram
felizes, pois se lembraram que o dinheiro viria a mais mês a mês.
Mas o tempo foi passando e nada de o chefe aumentar o salário mensal.
Quando finalmente fizeram uma assembléia para fechar um acordo em
torno da questão, o chefe mandou avisar que não ia incorporar nada.
O 13º estava cancelado e era só. Quem não concordasse que pedisse
demissão, pois havia muita gente desempregada que faria de tudo
para estar no lugar deles.
Revoltado,
Marcão pediu mesmo demissão. "Mas quero receber minhas horas-extras,
adicionais noturnos, tudo direitinho", disse ao encarregado do setor,
"exijo meus direitos" "Que direitos?", perguntou o encarregado,
"Você não ouviu dizer, rapaz? Flexibilizaram eles...".
Nessa
hora, Marcão acordou. Tinha sido só um sonho. Pelo menos por enquanto...
Há
muito tempo os patrões pedem por uma flexibilização dos direitos
trabalhistas, alegando que alguns deles são difíceis de cumprir
e poderiam ser negociados de maneira mais vantajosa para empregados
e empregadores em acordos coletivos.
O
problema é que, uma vez que o direito não é garantido por lei, como
saber se as empresas irão mesmo querer negocia-los com os trabalhadores.
E mais: mesmo que negociem, o que acontecerá quando não cumprirem
o acordo coletivo? Em um país como o Brasil há muitos empresários
éticos, de excelente conduta e boas intenções, mas também há aqueles
que são o oposto disso.
Ao estabelecer direitos, a lei faz com que o joio e o trigo ajam
igual. Mas, se houver a flexibilização, os direitos ficarão dependendo
da boa vontade dos empresários em acorda-los e aí estará toda a
diferença. Usando o discurso de "se você não quiser trabalhar assim,
tem quem queira", os anti-éticos poderão prevalecer e acabar com
todo e qualquer direito conquistado.
Isso significa, por exemplo, não receber décimo-terceiro, horas
extras, adicionais noturno, cesta básica...e até não ter Fundo de
Garantia ! Em resumo: por mais que haja patrões com boas intenções
sugerindo a flexibilização, não há como garantir que os trabalhadores
serão respeitados se os direitos não forem garantidos por lei.
Se
o governo quer abrir mais empregos, deve tomar medidas que ampliem
a abertura de vagas com dignidade (como reduzir a taxa de juros
e os impostos, por exemplo) e não gerar novos postos de trabalho
nivelados por baixo, com salários miseráveis e benefícios cada vez
menores.
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O
que o goveno quer: possibilitar que existam vários sindicatos
representando uma mesma categoria. Assim, diz o governo, o
trabalhador poderá encontrar aquele sindicato que o representa
melhor e filiar-se a ele.
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O
que diz a Federação: Um sindicato a cada esquina significa
várias pessoas, com posições diferentes, tentando negociar
para uma mesma categoria. Isso cria discordâncias e enfraquece
a categoria em negociações.
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Maria-Vai-Com-As-Outras
não cabia em si de tanta felicidade. Afinal, ela nunca havia ido
com a cara dos diretores do sindicato mesmo e todo mundo dizia que
eles eram chatos. Agora, porém, graças à aprovação da Reforma Sindical
do governo Lula, outros três sindicatos haviam aberto as portas
na cidade e ela poderia escolher um sindicato com uma diretoria
mais legal.
É claro que Maria ouvira dizer que a diretoria do antigo sindicato
era democrático e ouvia sugestões, mas ela não tinha tempo de ir
falar com eles. Uma amiga "engajada" até sugerira que ela montasse
uma chapa e concorresse à presidência do Sindicato, já que não estava
feliz com as coisas como estavam, mas isso dava muito trabalho.
A solução, então, veio com a pluralidade sindical aprovada pela
Reforma Sindical.
Três meses depois, Maria já tinha se filiado e desfiliado de todos
os sindicatos, mas ainda não achara um com a sua cara. Até teve
a idéia de lançar seu próprio sindicato, mas agora já existiam nove
SinSaúdes da cidade e a cada negociação coletiva eles perdiam mais
tempo brigando entre si do que conseguindo conquistas junto aos
empresários do setor. Pensando bem, a diretoria daquele primeiro
sindicato nem era tão chato assim...que bom seria se a Reforma Sindical
não tivesse sido aprovada. Mas agora era tarde...
Por sorte, ao contrário da história acima, ainda não é tarde para
barrar a reforma. Esta idéia do governo Lula do PT da pluralidade
sindical é tão besta que imagine se fosse aplicada no próprio governo:
teríamos cinco ou seis presidentes da República e escolheríamos
aquele que gostássemos mais para obedecer.
O
governo parece se esquecer que um sindicato é eleito democraticamente
e que, portanto, representa a opinião da maioria. Se há trabalhadores
insatisfeitos com a diretoria de um sindicato, cabe a eles reclamarem,
participarem ativamente das assembléias e até destituírem a diretoria
se elegendo no lugar dela. No entanto, criar dez sindicatos em uma
mesma cidade só enfraquece as categorias.
Mesmo
que eles não tenham posturas diferentes nem briguem entre si, imagine
que dois peçam uma coisa e outros oito outra. Qual o empresário
deverá ouvir? Se todos representam a categoria, então ele deveria
ouvir a todos, certo? A Federação dos Trabalhadores da Saúde prega
justamente o contrário desta proposta: a Representação Sindical
por Ramo de Atividade.
Ou
seja: hoje, em um hospital, há filiados ao Sindicato dos Vigias,
Sindicato dos Motoristas, dos Psicólogos, dos Médicos, dos Trabalhadores
da Saúde... O ideal é que houvesse um único Sindicato da Saúde,
abrigando todos estes profissionais que trabalham em um hospital.
Este sindicato teria uma direção com representantes de cada área
e seria muito mais forte, com muito mais poder de negociação.
Em
resumo: criar vários sindicatos em uma mesma área para dar "liberdade
de escolha" ao trabalhador é uma falsa premissa, que só vai gerar
confusão e enfraquecer o poder do trabalhador na negociação. Se
o governo quiser mesmo garantir a liberdade de escolha, basta fiscalizar
de perto a transparência dos processos democráticos sindicais.
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O
que o governo quer: tirar das mãos da Justiça do Trabalho
o poder de decisão em uma negociação coletiva. Quando não
houver acordo, um árbitro definirá o que os dois lados farão.
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O
que a Federação diz: a idéia até que é boa, o problema é como
definir o árbitro. Se não houver consenso entre as partes
na escolha dele, como fica a situação ?
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A paralisação já entrava no quinto dia quando
começaram as negociações entre o sindicato e os donos do Hospital
particular. A Justiça do Trabalho, que depois da Reforma Sindical
passou a não ter poder normativo, mediou tudo e até fez algumas
sugestões, mas pela nova lei ela só podia sugerir, não determinar.
Por isso, não se chegava a um consenso.
O
remédio, então, foi apelar para uma arbitragem imparcial, conforme
determinou a Reforma Sindical. Só que os dois lados também não chegaram
a um consenso sobre isso. O patrão indicou um ex-funcionário com
grande experiência, mas que o sindicato acreditava ser pelego, estar
vendido para o hospital. O sindicato indicou um diretor da Federação
da categoria, de outra cidade, mas o patrão disse que ele era radical
e que não veria o seu lado. Ou seja: a imparcialidade dos árbitros
sugeridos não existia.
E
assim a paralisação foi continuando, só que agora, em vez de buscarem
um consenso na negociação, buscavam um consenso em torno do árbitro...
A
idéia de tirar um pouco do peso dos ombros de uma Justiça do Trabalho
sobrecarregada é muito boa, mas o problema é que a substituição
por uma arbitragem dita imparcial é complicada por demais. À Justiça
caberá apenas mediar as negociações e sugerir soluções, mas ninguém
será obrigado a seguir os conselhos.
Mesmo
que o árbitro imparcial seja um sugerido pela Justiça do Trabalho,
a qualquer momento os lados poderão declarar que não aceitam sua
decisão e não cumpri-la, afinal a arbitragem não tem poder para
impor o que definiu. Em resumo: a sugestão do governo na Reforma
Sindical segue a velha máxima de "descobrir um santo para cobrir
o outro".
Ou
seja, ao sugerir que a responsabilidade sobre as negociações saia
das mãos da Justiça do Trabalho, o governo elimina um problema para
criar outro ainda maior. . A não ser que seja sugerida uma forma
inquestionável para a escolha do árbitro, a Federação condena esta
proposta e é obrigada a defender a manutenção do poder normativo.
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O
que o governo quer: que o Ministério público possa exigir
urgência no julgamento de uma greve
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O
que a Federação diz: julgar a greve sem levar em conta o mérito
e reivindicações feitas é incoerente, contraproducente e pode
levar a maiores insatisfações da categoria e novas greves
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A greve foi comunicada com 72 horas de antecedência
- como manda a lei - e já estava em seu segundo dia quando o Ministério
Público, entendendo que a Saúde do Município estava sendo prejudicada,
interveio e exigiu o julgamento imediato da paralisação.
A
greve foi julgada e ficou determinado o retorno imediato ao trabalho.
Mas ninguém julgou as reivindicações, que por sinal eram justas:
os trabalhadores pararam porque o hospital não havia cumprido o
acordo coletivo e nem mesmo uma determinação anterior da Justiça
para que fossem pagos quatro meses de salários atrasados.
Revoltados
e humilhados, muitos trabalhadores sequer seguiram a orientação
do sindicato para voltarem ao trabalho. "Ora, se o patrão não segue
a lei e a Justiça sequer quis saber o que eu estou pedindo, por
que devo eu seguir a lei?", alegaram muitos grevistas. Um trabalhador
antigo da empresa resumiu a situação, de maneira poética: "Julgaram
errado eu estar portando um arma, mas nem deram bola pro fato de
que eu só estava fazendo isso para impedir a fera pulasse em cima
de mim."
Dá
para entender que o governo queira acelerar o fim de algumas greves
para que a população seja menos prejudicada. Isso é até louvável.
O problema é que, para fazer isso, ele propõe ferir o próprio direito
de greve. E isso em um governo do PT, vejam que absurdo !
Ora, se o Ministério Público poderá intervir para apressar o julgamento
da legalidade, porque não apressar também o julgamento dos méritos.
É possível mandar para cadeia uma pessoa que dirigiu um carro sem
carteira sem ao menos levar em consideração o motivo que o levou
a entrar no carro em primeiro lugar ? Em qualquer país minimamente
desenvolvido, não. Mas no Brasil, pelo jeito...
O
que o governo quer é totalmente incoerente. A Federação não tem
nada contra apressar o julgamento de uma greve, desde que ela seja
julgada como um todo: mérito e reivindicações.
Em
resumo: mais uma vez, este item da reforma parece prejudicar apenas
os trabalhadores. O que o governoLula do PT sugere é uma forma de
parecer eficiente aos olhos da população no caso de uma greve que
afete a vida do público. No entanto, é uma medida cosmética: faz
parecer bonito, mas por baixo da maquiagem a situação do trabalhador
continua igual a que era.
O
que mais causa estranheza é que um presidente que sempre se disse
"um trabalhador" agora queira aprovar tanta coisa contra o trabalhadores...
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