O ato
de alimentar-se é, sem sombra de dúvida, um dos
atos que mais oferecem a sensação de prazer. Normalmente
o alimento é visto como um meio de saciar a fome,
por isso muitas vezes (e principalmente nas férias)
ficamos à mercê da comodidade dos "fast food", alimentos
refinados, embutidos, enlatados e nos esquecemos
que a principal função do alimento é a de nutrir
e "promover a saúde". Atualmente vivemos o contraste
mundial entre a desnutrição e a obesidade com anemia,
que na maior parte das vezes ou é conseqüência de
uma alimentação inadequada ou de conceitos equivocados.
No caso
da obesidade, pesquisas apontam que 25% da população
do planeta está obesa ou com sobrepeso, sendo que
no Brasil, uma em cada 6 crianças na faixa etária
até 10 anos está com o peso acima do ideal, sem
contar o alto índice de crianças que apresentam
elevadas taxas de colesterol. Há alguns anos atrás,
o grande drama nacional era a escassez de comida
levando à desnutrição, hoje temos um obeso para
cada desnutrido.
A obesidade
infantil atrapalha o crescimento, provoca má formação
óssea, predispõe à queda da imunidade, além de contribuir
para formar um futuro adulto obeso, com problemas
coronarianos e circulatórios, que provavelmente
passará por desgastes psicológicos para tentar tornar-se
um adulto com peso normal e saudável.
Na contramão
da obesidade, observamos que crianças até três anos
são os que estão mais sujeitos a apresentarem quadros
de anemia, pois nesta fase estão aprendendo a comer
e precisam ser estimulados.
Infelizmente
o cardápio dos "brasileirinhos" está repleto de
doces, refrigerantes, biscoitos, salgadinhos e fast-food.
Os alimentos crus, as frutas, verduras e legumes
quase nunca aparecem, pois muitos pais também não
cultivam este hábito. Um estudo elaborado pelo Ministério
da Saúde constatou que as crianças utilizam uma
dieta oposta da ideal, pois, comparada com a pirâmide
de alimentos mostra-se invertida, com ênfase nas
gorduras de todos os tipos e especialmente nos açúcares,
e apresentando um consumo insuficiente de frutas
e verduras.
Engana-se
quem pensa que esses problemas de saúde afetam apenas
as classes menos privilegiadas, a incidência também
é grande nas demais camadas sociais.
Observa-se
que o cardápio já começa equivocado nos primeiro
anos de vida, fase fundamental para a formação de
hábitos alimentares saudáveis, pois até os 5 anos
a criança aprende a comer. Se ela for estimulada
corretamente o risco de tornar-se um consumidor
compulsivo de guloseimas diminuirá muito.
Está
comprovado que os hábitos alimentares saudáveis
adquiridos nos primeiros anos de vida perpetuam-se
para toda a vida. Não podemos nos esquecer de que
a criança nasce sem saber qual é a exata diferença
entre os alimentos e seus sabores; o estímulo aos
hábitos saudáveis estará sendo alicerçado a cada
refeição, e a cada alimento oferecido. Naturalmente,
não é necessário privar a criança do uso de guloseimas,
mas sim impor limites para o seu consumo, e acima
de tudo devemos ser o exemplo, praticando uma alimentação
saudável.
Elaine
Escábia
La Belle Cuisine Assessoria e Consultoria em Alimentos
Julho/2007