"Não
comi e não gostei". Quantos de nós já ouviu alguém
pronunciar esta frase referindo-se a algum alimento?
Para
começar, vejamos a definição da palavra hábito segundo
o dicionário da língua portuguesa: "Disposição adquirida
pela repetição de um ato, uso ou costume".
Talvez
isto explique porque os orientais consomem peixe
cru com naturalidade, ao contrário das demais etnias,
ou porque os nordestinos adoram a famosa buchada
de bode, que nem de longe pode ser considerada uma
preferência nacional. O que dizer ainda dos povos
que consomem insetos e outros alimentos considerados
bizarros em nossa cultura? Certamente pelo Hábito.
Os hábitos
alimentares são formados ao longo dos anos, sendo
que os adquiridos na infância ocuparão importante
papel para o resto de nossas vidas. Como gostar
de um alimento que nunca se experimentou?
Muitos
pais, consciente ou inconscientemente impõe aos
seus filhos o seu padrão alimentar, sem muitas vezes
oferecer outras opções de alimento, resultando em
indivíduos com preferências muito limitadas e que
por falta de conhecimento, ou por pré-conceito não
"arriscam" experimentar outros sabores.
Como
convencer às crianças que o bom é comer verduras,
se em casa ela só encontra frituras e alimentos
processados? Como impor que ela consuma determinados
alimentos se os pais não os consomem ou dizem não
gostar também?
Escuto
muitas vezes mães a dizer, por exemplo: "meu filho
não come nada verde", ou "não come frutas e legumes",
porém percebo que esta queixa trata-se de um circulo
vicioso, pois se os pais não compram, não oferecem
e ainda pior não consomem, como querer que os filhos
adquiram hábitos saudáveis. E ao contrário, quando
a criança se acostuma com legumes e verduras à mesa
dia-a-dia, quando conta com incentivo e principalmente
com o exemplo dos pais realizando uma alimentação
saudável, sem dúvida pouco a pouco ela irá por opção
ou por simples curiosidade experimentar o alimento
até então diferente.
Neste
cenário é fundamental oferecer desde cedo todo tipo
de alimento, e sempre orientar que a criança experimente
um pouco, para só então dizer se gostou ou não.
Mesmo em casos em que o resultado for "não gostei",
o alimento deve ser novamente oferecido depois de
algum tempo, em outro tipo de preparação, ou em
outra forma de apresentação, para que assim possa
formar uma opinião real a respeito de determinado
alimento.
Os pais
em geral são os ídolos de seus filhos, sendo assim
os adultos devem evitar expressar opiniões negativas
sobre este ou aquele alimento perto dos filhos pequenos,
estes normalmente têm a tendência a imitá-los, sendo
assim tudo que os pais dizem não gostar, constitui
um argumento para que o filho também não goste,
muitas vezes sem experimentar, pois pela lógica
infantil "se eles não comem é porque não deve ser
bom", como convencê-los do contrário? Oferecendo
e consumindo juntos alimentos diversos, mesmo que
estes não sejam da preferência dos pais, pois só
assim a criança terá contato com novos sabores e
sensações.
Lembre-se
de que hábitos bons ou ruins serão em geral levados
para toda a vida, e cabe aos pais este importante
papel de fazer com que os filhos descubram desde
cedo o prazer de uma alimentação variada e saudável.
Faça
contato conosco pelo e-mail: lcuisine@terra.com.br.
Elaine
Escábia
La Belle Cuisine Assessoria e Consultoria em Alimentos
Julho/2006