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Artigo

Não comi e não gostei!
Elaine Escábia

"Não comi e não gostei". Quantos de nós já ouviu alguém pronunciar esta frase referindo-se a algum alimento?

Para começar, vejamos a definição da palavra hábito segundo o dicionário da língua portuguesa: "Disposição adquirida pela repetição de um ato, uso ou costume".

Talvez isto explique porque os orientais consomem peixe cru com naturalidade, ao contrário das demais etnias, ou porque os nordestinos adoram a famosa buchada de bode, que nem de longe pode ser considerada uma preferência nacional. O que dizer ainda dos povos que consomem insetos e outros alimentos considerados bizarros em nossa cultura? Certamente pelo Hábito.

Os hábitos alimentares são formados ao longo dos anos, sendo que os adquiridos na infância ocuparão importante papel para o resto de nossas vidas. Como gostar de um alimento que nunca se experimentou?

Muitos pais, consciente ou inconscientemente impõe aos seus filhos o seu padrão alimentar, sem muitas vezes oferecer outras opções de alimento, resultando em indivíduos com preferências muito limitadas e que por falta de conhecimento, ou por pré-conceito não "arriscam" experimentar outros sabores.

Como convencer às crianças que o bom é comer verduras, se em casa ela só encontra frituras e alimentos processados? Como impor que ela consuma determinados alimentos se os pais não os consomem ou dizem não gostar também?

Escuto muitas vezes mães a dizer, por exemplo: "meu filho não come nada verde", ou "não come frutas e legumes", porém percebo que esta queixa trata-se de um circulo vicioso, pois se os pais não compram, não oferecem e ainda pior não consomem, como querer que os filhos adquiram hábitos saudáveis. E ao contrário, quando a criança se acostuma com legumes e verduras à mesa dia-a-dia, quando conta com incentivo e principalmente com o exemplo dos pais realizando uma alimentação saudável, sem dúvida pouco a pouco ela irá por opção ou por simples curiosidade experimentar o alimento até então diferente.

Neste cenário é fundamental oferecer desde cedo todo tipo de alimento, e sempre orientar que a criança experimente um pouco, para só então dizer se gostou ou não. Mesmo em casos em que o resultado for "não gostei", o alimento deve ser novamente oferecido depois de algum tempo, em outro tipo de preparação, ou em outra forma de apresentação, para que assim possa formar uma opinião real a respeito de determinado alimento.

Os pais em geral são os ídolos de seus filhos, sendo assim os adultos devem evitar expressar opiniões negativas sobre este ou aquele alimento perto dos filhos pequenos, estes normalmente têm a tendência a imitá-los, sendo assim tudo que os pais dizem não gostar, constitui um argumento para que o filho também não goste, muitas vezes sem experimentar, pois pela lógica infantil "se eles não comem é porque não deve ser bom", como convencê-los do contrário? Oferecendo e consumindo juntos alimentos diversos, mesmo que estes não sejam da preferência dos pais, pois só assim a criança terá contato com novos sabores e sensações.

Lembre-se de que hábitos bons ou ruins serão em geral levados para toda a vida, e cabe aos pais este importante papel de fazer com que os filhos descubram desde cedo o prazer de uma alimentação variada e saudável.

 

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Elaine Escábia
La Belle Cuisine Assessoria e Consultoria em Alimentos
Julho/2006