Confesso
que em todos esses anos como profissional da área
de alimentação e saúde, nunca houve uma época em
que se falou ou confundiu tanto o consumidor sobre
os alimentos.
É
ligar a TV, abrir uma revista e lá estão dietas,
conselhos, dicas sobre o que pode ou não ser consumido
pela maioria. Alguns alimentos passam de heróis
a vilões em questão de dias, e se em determinado
momento um deles é condenado pode ficar por anos
a fio na lista negra dos consumidores.
O ovo,
por exemplo, passou muito tempo como o grande culpado
pelo aumento do colesterol, quando se sabe que ele
também é uma das melhores fontes de proteína de
alto valor biológico.
Como
ele, alimentos como o café, o chocolate, a carne
vermelha tem figurado constantemente na lista dos
alimentos ora "mocinhos ou bandidos", neste momento
fico imaginando o que isso causa na cabeça de alguns
consumidores, pois se nós que trabalhamos diariamente
com alimentos, em muitos momentos ficamos atordoados
com tanta informação imagino as pessoas comuns ou
menos esclarecidas.
Assistindo
a determinado programa de TV escuto que o ideal
é tomar 2 litros de água por dia e comer muita fibra,
em outro avisam que devemos tomar cuidado com as
fibras, e que devemos beber 4 litros de água.
Estamos
vivendo uma época em que constantemente fala-se
com naturalidade sobre alimentos hidropônicos, orgânicos,
funcionais, transgênicos, em gorduras saturadas,
poliinsaturadas, monoinsaturadas, insaturadas e
a trans, ufa!!. Ah, ainda temos o colesterol, alimentos
com IG (Ìndice Glicêmico) alto ou baixo, como se
todos estes termos fizessem parte do cotidiano das
pessoas.
Fico
me perguntando quanto destas informações o consumidor
realmente absorve?
O que
realmente ele leva em consideração no momento da
compra?
O consumidor
sabe o que está comprando?
Realmente
tenho minhas dúvidas, não estou aqui menosprezando
sua inteligência, mas com certeza nem todos tem
acesso a informações claras a respeito de toda essa
"salada" de nomes.
Com o
intuito de prestar ao consumidor informações mais
precisas está entrando em vigor uma nova legislação
que obriga os fabricantes informarem na tabela nutricional
todos os nutrientes (saudáveis ou não), para que
o consumidor saiba o que está comprando certo? Certo.
Mas será
que todo consumidor sabe o que é "gordura trans".
Pois faço questão de informar:
As gorduras trans são um tipo específico de gordura
formada por um processo de hidrogenação natural
(ocorrido no rúmen de animais) ou industrial. Estão
presentes principalmente nos alimentos industrializados.
Os alimentos de origem animal como a carne e o leite
possuem pequenas quantidades dessas gorduras.
O consumidor
deve saber que o consumo excessivo de alimentos
ricos em gorduras trans pode causar:
1) Aumento do colesterol total e ainda do colesterol
ruim - LDL-colesterol.
2) Redução dos níveis de colesterol bom - HDL-colesterol.
Importante
ressaltar também, que não há informação disponível
que mostre benefícios a saúde a partir do consumo
de gordura trans.
Sendo
que para saber se o alimento é rico em gordura trans
basta olhar a quantidade por porção dessa substância.
Não se deve consumir mais de 2 gramas de gordura
trans por dia.
A partir
destas informações, pode-se notar que o simples
fato de constar da tabela não garante que todos
saibam se o nutriente é benéfico ou não.
Ultimamente,
tenho a sensação de que o excesso de informações
desencontradas, faz com que o momento da refeição,
que deveria ser de prazer, passe a ser o momento
da dúvida e da angústia, por não saber se o alimento
que se escolheu é ou não saudável, se faz bem mal
a saúde.
Tentando
amenizar um pouco este dilema, podemos utilizar
uma das regras da Nutrição que é o "Comer de tudo,
mas não tudo", o que significa que pode-se comer
de tudo com moderação, sem exageros, que tudo pode
fazer bem ou mal, dependendo da quantidade que se
come.
Não fiquemos
bitolados, radicais ou fanáticos por nenhum alimento
ou dieta, lembrando que o importante em tudo na
vida é o equilíbrio.
Faça
contato conosco pelo e-mail: lcuisine@terra.com.br.
Elaine
Escábia
La Belle Cuisine Assessoria e Consultoria em Alimentos
Julho/2006