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Artigo

Comer ou não comer? Eis a questão
Elaine Escábia

Confesso que em todos esses anos como profissional da área de alimentação e saúde, nunca houve uma época em que se falou ou confundiu tanto o consumidor sobre os alimentos.

É ligar a TV, abrir uma revista e lá estão dietas, conselhos, dicas sobre o que pode ou não ser consumido pela maioria. Alguns alimentos passam de heróis a vilões em questão de dias, e se em determinado momento um deles é condenado pode ficar por anos a fio na lista negra dos consumidores.

O ovo, por exemplo, passou muito tempo como o grande culpado pelo aumento do colesterol, quando se sabe que ele também é uma das melhores fontes de proteína de alto valor biológico.

Como ele, alimentos como o café, o chocolate, a carne vermelha tem figurado constantemente na lista dos alimentos ora "mocinhos ou bandidos", neste momento fico imaginando o que isso causa na cabeça de alguns consumidores, pois se nós que trabalhamos diariamente com alimentos, em muitos momentos ficamos atordoados com tanta informação imagino as pessoas comuns ou menos esclarecidas.

Assistindo a determinado programa de TV escuto que o ideal é tomar 2 litros de água por dia e comer muita fibra, em outro avisam que devemos tomar cuidado com as fibras, e que devemos beber 4 litros de água.

Estamos vivendo uma época em que constantemente fala-se com naturalidade sobre alimentos hidropônicos, orgânicos, funcionais, transgênicos, em gorduras saturadas, poliinsaturadas, monoinsaturadas, insaturadas e a trans, ufa!!. Ah, ainda temos o colesterol, alimentos com IG (Ìndice Glicêmico) alto ou baixo, como se todos estes termos fizessem parte do cotidiano das pessoas.

Fico me perguntando quanto destas informações o consumidor realmente absorve?

O que realmente ele leva em consideração no momento da compra?

O consumidor sabe o que está comprando?

Realmente tenho minhas dúvidas, não estou aqui menosprezando sua inteligência, mas com certeza nem todos tem acesso a informações claras a respeito de toda essa "salada" de nomes.

Com o intuito de prestar ao consumidor informações mais precisas está entrando em vigor uma nova legislação que obriga os fabricantes informarem na tabela nutricional todos os nutrientes (saudáveis ou não), para que o consumidor saiba o que está comprando certo? Certo.

Mas será que todo consumidor sabe o que é "gordura trans". Pois faço questão de informar:
As gorduras trans são um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação natural (ocorrido no rúmen de animais) ou industrial. Estão presentes principalmente nos alimentos industrializados. Os alimentos de origem animal como a carne e o leite possuem pequenas quantidades dessas gorduras.

O consumidor deve saber que o consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras trans pode causar:
1) Aumento do colesterol total e ainda do colesterol ruim - LDL-colesterol.
2) Redução dos níveis de colesterol bom - HDL-colesterol.

Importante ressaltar também, que não há informação disponível que mostre benefícios a saúde a partir do consumo de gordura trans.

Sendo que para saber se o alimento é rico em gordura trans basta olhar a quantidade por porção dessa substância. Não se deve consumir mais de 2 gramas de gordura trans por dia.

A partir destas informações, pode-se notar que o simples fato de constar da tabela não garante que todos saibam se o nutriente é benéfico ou não.

Ultimamente, tenho a sensação de que o excesso de informações desencontradas, faz com que o momento da refeição, que deveria ser de prazer, passe a ser o momento da dúvida e da angústia, por não saber se o alimento que se escolheu é ou não saudável, se faz bem mal a saúde.

Tentando amenizar um pouco este dilema, podemos utilizar uma das regras da Nutrição que é o "Comer de tudo, mas não tudo", o que significa que pode-se comer de tudo com moderação, sem exageros, que tudo pode fazer bem ou mal, dependendo da quantidade que se come.

Não fiquemos bitolados, radicais ou fanáticos por nenhum alimento ou dieta, lembrando que o importante em tudo na vida é o equilíbrio.

 

Faça contato conosco pelo e-mail: lcuisine@terra.com.br.

Elaine Escábia
La Belle Cuisine Assessoria e Consultoria em Alimentos
Julho/2006